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Café Tricot

6 out

Há uns três anos, encontrei na Livraria Cultura da Paulista o livro “Greetings from Knit Cafe”. Na época, a grana era curta e eu tinha outras prioridades. Marquei como favourite na minha lista da Amazon e deixei lá.

Aí, há uns dois meses, fui rever minha lista dos desejos e o reencontrei. Ele deixou de ser impresso pela editora, mas era possível comprar num sebo, pela metade do preço. Foi o que eu fiz e, apesar da greve dos Correios, o livro chegou lá em casa.
Em resumo, ele conta a história de uma mega executiva da CBS, a Suzan Mischer, ganhadora de emmys e outros prêmios importantes, que um dia larga tudo e vai ser dona de casa para cuidar das duas filhas pequenas. Depois que ela deixava as meninas na escola, ia tomar café e tricotar numa Starbucks próxima. Ia tão frequentemente que já era amiga de todo mundo, dos funcionários e dos demais frequentadores.
Um dia ela pensou: “puxa, pra esse lugar ser perfeito, só precisava ter alguns novelos à mão”. E daí surgiu a sua idéia de abrir um knit café chamado… Knit Cafe, ora bolas. (Lembrei da Keila na hora com o seu Café Tricot – tem outro nome mais apropriado?!).
Isso foi em 2001. Alguns anos depois, ela escreveu o livro, onde ela conta sobre a sua loja, revela a receita do muffin de laranja com aveia e dos biscoitos de amêndoas e chocolate e, claro, as receitas onde ela aproveita para falar dos clientes que as fizeram, as circustâncias, porque, com qual fio… Ou seja, não é apenas mais um livro de receitinha pronta, mas de receitas com historinhas para contar. Inspirador.
O livro é lindo, muito colorido, projeto gráfico maravilhoso e fotos sensacionais da crochet diva Victoria Pearson.
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Um café assim é o sonho de todo mundo que faz alguma atividade manual.
Conheci a  Keila, que eu falei acima, na lista de tricô Crazy Knitting Ladies. Trocando uns e-mails em pvt sobre o curso de top down que o Tricoteiras promoveu, comentamos sobre o meu sonho, que também era o dela, de abrir um knit café. Ela pegou corda e agora está abrindo o Café Tricot.
Estou absolutamente feliz com isso e radiante face tantas possibilidades de aproveitar um lugar tão bacana. Lendo o livro, a gente percebe que não importa de que país você é, a necessidade de aconchego é a mesma. Um espaço para trocar idéias, conhecer pessoas, não ver o tempo passar… um oásis em cidades tão barulhentas. Quem não precisa disso?
Sucesso ao Café Tricot 🙂

“Knit something beautiful”

6 set

 There are three things about knitting of which many a knitter is – but should not be – ignorant. The first is that knitting is one of the oldest of crafts, its history extending back almost to the origins of human culture. The second is that knitting was developed largely by men, not by women. And the third is that the variety, flexibility and adaptability of patterns in knitting are practically infinite.

(Existem três coisas a cerca de tricotar sobre as quais muitas tricoteiras são – mas não deveriam ser – ignorantes. A primeira é que tricotar é um os artesanatos mais antigos; sua história começa quase na origem da história humana. A segunda é que o tricô foi desenvolvido por homens, não por mulheres. E a terceira é que a variedade, a flexibilidade e a adaptabilidade das receitas de tricô são praticamente infinitas.)

Foi com essas palavras que Barbara G. Walker me recebeu em minha própria casa após semanas de viagem pelo interior do estado a trabalho. O parágrafo acima é o primeiro da introdução do primeiro livro da série A Treasury of Knitting Patterns, que comprei na Amazon e recebi hoje pelo correio.

Na ansiedade para folhear e ver todos os mais de 500 pontos que só este livro traz, me contive e parei para ler a introdução, extremamente simples, direta e bem escrita. São apenas quatro páginas, mas que me disseram mais do que eu achava que sabia.

Em cima das três verdades acima, muitos pensamentos passaram pela minha cabeça.

A Treasury of Knitting PatternsPrimeiro essa “onda”, essa “moda” de tricotar que alguns alardeiam por aí. O tricô existe há milênios, tem registro que datam sua existência ainda nos túmulos dos faraós egípcios, mas sempre tem alguém para redescobrir a pólvora e se outorgar título de mestre e mestra.

Segundo essa coisa de “retomada do poder do feminino” completamente deturpada e retirada do contexto que apregoam por aí e tentam impressionar, infelizmente, com bastante sucesso, as massas. Tricô era coisa de homem. À mulher cabia cardar e fiar. Tricô só foi associado à mulher mais recentemente como trabalho doméstico porque ela não podia trabalhar fora. Hoje virou sinônimo de resistência contra as imposições da vida moderna. Mas o esforço anterior era o de fazer a mulher sair de casa, ganhar dinheiro para sair do julgo do homem – e tarefas domésticas como tricotar eram bem um símbolo da impotência e submissão da mulher. Hoje em dia isso não vale mais e a nossa luta é no sentido de conciliar a profissão com um hobbie (entre outras tantas atividades que a gente exerce). De certa forma, não deixa de ser uma luta pela retomada da nossa liberdade pessoal, mas em um contexto totalmente diferente. Sai um pouco do viés feminista para um contexto muito mais amplo, o de resistência à indústria cultural de massa (embora ela muito se aproveite de quem vê o tricô como “hype”. Aliás, essa indústria foi que criou o “hype”).

O terceiro é um ponto extremamente sensível: a rigidez de muitas tricoteiras com relação à criação. Todo mundo quer receitinha pronta. Ninguém quer pensar, o que eu acho que é a parte mais interessante do tricô. É claro que uma ou outra receita vale realmente a pena ser tecida. Algumas até para aprender como se faz e em cima da forma, refazê-la do nosso jeito. O que me incomoda é ficar refém, como se uma receita fosse uma verdade absoluta.

Como diz a Barbara ainda nesta introdução, “não tricote qualquer coisa. Tricote qualquer coisa linda!”

E a gente tem uma prova da variedade de possibilidades que o tricô oferece nesse livro. Cada ponto lindo, cada combinação sensacional! Eu acho incrível como as pessoas ainda conseguem relutar em fazer combinações e viajar, experimentar ao máximo as possibilidades.

 

Em um sebo perdido em Araraquara…

5 set

Para consultas gerais. De presente para a Keila 🙂

Meu primeiro livro da EZ

5 ago

Chegou!

A Susana tinha dado a dica que o livro Elizabeth Zimmermann’s Knitters Almanac estava sendo vendido a menos de 7 dólares, com frete grátis, na Abebooks. Não tinha como perder a chance.

Esse é o primeiro livro dela que eu compro – vergonha!. Em geral, eu tenho birra com os livros da EZ porque têm pouca imagem e quando tem são p&b, não dá para ver os detalhes direito. Mas estava passando da hora de eu vencer esse preconceito, porque, como sabemos, os ensinamentos dela são tudo.

Se você não sabe quem é  Elizabeth Zimmermann, a padroeira de toda tricoteira, não deixe de ler esse texto aqui. E, se possível, também leia os livros e receitas dela.

Um Bom Tricô

27 ago

Alguém avisou lá na lista que o livro Um Bom Tricô, da Debbie Macomber, estava em promoção, a R$ 10, no Submarino.

O meu chegou ontem e eu parei no capítulo 6.

Não é bem meu estilo de livro. Acho meio água com açúcar. Mas uma coisa não se pode negar: o tricô é um fio que une muitas vidas.

O contato, as amizades que o hobbie proporciona é algo que vai além do que uma pessoa que nunca participou de um encontro possa entender.

Eu entendo demais porque as pessoas gostam tanto das reuniões. A vida nas grandes cidades pode ser mesmo muito solitária. Os encontros propiciam contato constante com pessoas que possuem pelo menos um interesse comum. E assim é aqui ou nos EUA, como se vê no livro.

Estou com uma fila enorme de trabalho, mas em breve vou me aventurar fazendo a manta do livro.